

Marcela Marcos
Publicado em 13 de julho de 2026 às 18:45h.
Um episódio chamou a atenção de estudantes, professores e profissionais de tecnologia durante a temporada de formaturas de universidades americanas em 2026, que aconteceu entre maio e julho.
Os executivos convidados para discursar como paraninfos em cerimônias de graduação foram interrompidos por vaias ao defenderem o uso da inteligência artificial. Um dos casos mais comentados envolveu um ex-CEO do Google (assista abaixo).
O episódio foi reportado pelo G1 e reflete um debate que vem ganhando espaço dentro e fora das universidades: afinal, qual deve ser o papel da inteligência artificial no trabalho intelectual e na produção de conteúdo?
Os episódios ocorridos nas universidades americanas ajudam a evidenciar uma mudança de percepção sobre essa nova tecnologia.
Durante os primeiros anos da popularização da IA generativa, marcada pelo lançamento do ChatGPT no fim de 2022, o simples fato de utilizar a tecnologia era visto como algo inovador.
Agora, o cenário parece ser outro. Cada vez mais as pessoas valorizam não apenas a capacidade de usar inteligência artificial, mas também a capacidade de pensar além dela.
Muita gente acaba usando a inteligência artificial para escrever textos, criar apresentações, resumir documentos e gerar ideias, mas existe uma diferença importante entre usar a IA como apoio e delegar completamente a ela a construção de um conteúdo.
Quando essa segunda opção acontece, muitos profissionais — e alunos — já começaram a perceber: os textos passam a soar parecidos, previsíveis e pouco autênticos.
Em muitos casos, quando o público percebe que um texto foi produzido quase integralmente por uma ferramenta de IA, a desconfiança não recai apenas sobre o material publicado. Ela também pode atingir a credibilidade de quem assina aquele conteúdo. Quando tudo parece ter sido produzido por uma máquina, fica mais difícil identificar a contribuição humana por trás das ideias.
A questão já foi discutida anteriormente pelo Na Prática na matéria “Textos feitos com IA estão todos iguais“.
Isso acontece porque milhões de usuários utilizam comandos semelhantes para pedir os mesmos tipos de conteúdo às mesmas ferramentas.
O resultado é uma produção cada vez mais padronizada, marcada por estruturas repetitivas, exemplos genéricos e frases que poderiam ter sido escritas por qualquer pessoa. Os clichês inclusive viraram assunto no post desta página de humor sobre a Faria Lima no Instagram.

Para quem está construindo uma marca pessoal, procurando emprego ou tentando se posicionar como especialista em determinado tema, essa padronização pode se tornar um problema, até mesmo porque destacar-se exige justamente o contrário: uma perspectiva própria. Para isso, confira as dicas abaixo.
A ferramenta pode ajudar a organizar tópicos, identificar lacunas e sugerir abordagens. Mas as conclusões e os argumentos principais devem partir do autor, ou seja, de você.
Uma das formas mais simples de diferenciar um conteúdo é incluir situações vividas, aprendizados e observações próprias. Esse tipo de informação não está disponível nos modelos de IA e ajuda a tornar o texto mais original.
Nem toda recomendação da IA precisa ser aceita.
Pergunte-se:
Mesmo quando a IA produz um bom rascunho, vale revisar o texto para ajustar linguagem, exemplos e estrutura. Muitas vezes, alguns minutos de edição são suficientes para transformar um conteúdo genérico em algo mais pessoal.
Em diversos contextos profissionais e acadêmicos, a transparência sobre o uso da tecnologia tende a se tornar uma prática cada vez mais valorizada. O objetivo não é fingir que a IA não foi utilizada, mas demonstrar que ela foi uma ferramenta de apoio dentro de um processo conduzido por uma pessoa.
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Outra dica útil é conferir o curso online e gratuito Storytelling de Impacto, do Na Prática. Nele, você vai aprender técnicas de argumentação para melhorar sua escrita e sua capacidade de mobilização. Acesse aqui.
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Se nos EUA está havendo essa rejeição à IA. No Brasil, algumas universidades estão se precavendo a problema futuros. Recentemente, a Faculdade Cásper Líbero, uma das principais instituições de ensino privadas de São Paulo, anunciou uma política institucional para orientar o uso de inteligência artificial nos cursos de Comunicação.
A iniciativa busca estabelecer diretrizes sobre transparência, responsabilidade e boas práticas no uso dessas ferramentas por estudantes e professores.
O movimento acompanha uma tendência observada em universidades de diferentes países. A questão agora é como utilizá-la sem comprometer a qualidade da formação, da produção intelectual e da construção de autoridade profissional.
Já para estudantes e profissionais, a mensagem parece clara. A inteligência artificial pode acelerar o trabalho, mas a autoridade continua sendo construída pelas ideias, experiências e perspectivas que cada pessoa é capaz de oferecer.
É errado usar inteligência artificial para escrever textos?
Não. A inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil para organizar ideias, criar rascunhos, revisar textos e acelerar tarefas. O importante é revisar o conteúdo, verificar as informações e contribuir com sua própria análise e experiência.
Como usar IA sem perder a autenticidade?
A melhor forma é utilizar a ferramenta como apoio, não como substituta. Acrescentar exemplos pessoais, opiniões próprias e conhecimentos adquiridos ao longo da carreira ajuda a tornar o conteúdo mais autêntico e menos genérico.
Por que os textos feitos por IA parecem tão parecidos?
Muitas ferramentas são treinadas com padrões semelhantes de linguagem e recebem comandos muito parecidos dos usuários. Como resultado, acabam produzindo estruturas, argumentos e expressões que se repetem em diferentes textos.
A IA pode prejudicar minha credibilidade profissional?
Pode, se o conteúdo publicado parecer artificial, genérico ou desconectado da sua experiência. Quando o público percebe que não existe contribuição humana relevante por trás de um texto, a confiança no autor pode diminuir.
Posso usar IA para escrever posts no LinkedIn?
Sim. A ferramenta pode ajudar a estruturar ideias, sugerir títulos e organizar argumentos. Porém, especialistas recomendam que o texto final reflita a experiência, a opinião e a linguagem do próprio autor.