Por que as melhores universidades do Brasil mudam dependendo do ranking?

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Felipe Giacomelli

Publicado em 2 de junho de 2026 às 16:27h.

Nesta semana, o ranking Global 2000 das melhores universidades do mundo foi divulgado pelo Center for World University Rankings (CWUR) e rapidamente tomou conta das discussões sobre educação e ensino superior no Brasil.

O levantamento mostrou que 45 das 52 instituições brasileiras presentes perderam posições em relação ao ano anterior, alimentando debates sobre financiamento à pesquisa, competitividade acadêmica e o papel das universidades brasileiras no cenário global.

Mas, para além da queda das instituições nacionais na avaliação internacional, a lista trouxe à tona uma pergunta ainda mais fundamental: afinal, quais são as melhores universidades do Brasil?

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Rankings das melhores universidades do Brasil

A resposta para essa pergunta depende para quem você perguntar. O Global 2000 é apenas um dos rankings renomados que avaliam as instituições de ensino superior no Brasil e no mundo. Mas outras instituições têm papel parecido. É o caso do Times Higher Education (THE) e do brasileiro Ranking Universitário Folha (RUF), do jornal Folha de S.Paulo.

Para avaliar as universidades, cada uma dessas instituições utilizam metodologias diferentes e, por isso, chegam a conclusões distintas. Enquanto a USP lidera os três levantamentos, a PUC-Rio é um dos exemplos mais emblemáticos de como os resultados podem variar: a instituição carioca aparece apenas na 45ª posição entre as brasileiras no Global 2000, mas ocupa a quinta colocação no THE e a 24ª no RUF.

Enquanto alguns rankings priorizam a produção científica e o impacto das pesquisas, outros atribuem maior peso à internacionalização, à reputação acadêmica ou à percepção do mercado de trabalho. O resultado é que uma mesma universidade pode ser vista de formas bastante diferentes dependendo dos critérios adotados, e é justamente isso que ajuda a explicar as divergências entre as listas.

As melhores universidades do Brasil em cada lista

Por que o resultado das melhores universidades do Brasil varia de ranking para ranking?

As diferenças entre os rankings acontecem principalmente por causa dos critérios utilizados. O CWUR (Global 2000), divulgado nesta semana, atribui peso elevado à produção científica, impacto das pesquisas e desempenho dos egressos, o que favorece universidades e institutos com forte tradição em pesquisa.

Já o Times Higher Education (THE) combina indicadores de pesquisa com internacionalização, reputação acadêmica e interação com a indústria, beneficiando instituições mais conectadas a redes globais de ensino e pesquisa.

Essa diferença metodológica ajuda a explicar, por exemplo, o desempenho da PUC-Rio. Um possível motivo para a variação na classificação da instituição é que, embora sua produção científica seja menor do que a de universidades públicas, a universidade tem forte inserção internacional e boa reputação acadêmica e colaboração com centros de pesquisa estrangeiros.

O RUF, por sua vez, considera a atuação da universidade em pesquisa, ensino, mercado, internacionalização e inovação. Para isso, utiliza dados de bases públicas e faz pesquisas independentes.

Em outras palavras, cada ranking responde a uma pergunta diferente: quem produz mais ciência, quem tem maior reconhecimento internacional ou quem apresenta melhor desempenho no sistema universitário brasileiro.

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Por que as universidades brasileiras caíram no ranking Global 2000 de 2026?

A queda das universidades brasileiras no Global 2000, entretanto, não pode ser explicada apenas pelas diferenças metodológicas entre os rankings.

Segundo o levantamento do CWUR, esse desempenho está inserido em um momento de crescente competição internacional, especialmente com o avanço de países, como a China, que vêm ampliando seus investimentos em pesquisa e inovação. O país asiático pela primeira vez ultrapassou os Estados Unidos em número de universidades entre as 2 mil melhores do mundo.

“O declínio das universidades brasileiras [no ranking da Global 2000] reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”, avalia Nadim Mahassen, presidente do CWUR, em entrevista ao G1.

Apesar de os resultados variarem de um levantamento para outro, isso não significa que um ranking esteja certo e outro errado. Cada levantamento procura medir dimensões diferentes da qualidade universitária e, por isso, pode destacar instituições distintas.

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Para estudantes, a principal lição é que a escolha de uma universidade não deve se basear apenas em uma posição no ranking. Já para as instituições de ensino superior, o alerta parece ser outro: embora existam diferenças metodológicas entre as listas, a perda de espaço em classificações internacionais indica um cenário de competição global cada vez mais intensa em que universidades disputam recursos, pesquisadores, parcerias e produção científica.

Foto da matéria Mike Peel (mikepeel.net)/Wikimedia Commons

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