O futuro da medicina chegou: como é trabalhar em hospitais com robôs e IA

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Egberto Santana

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 13:52h.

Cirurgias em que médicos estão a milhares de quilômetros do paciente, sistemas digitais integrados ao atendimento e pesquisas sobre inteligência artificial na saúde. Na China, essas tecnologias já começam a alterar não apenas o cuidado da população mas também a formação da próxima geração de profissionais de saúde.

É o que Pedro Docema, Gabriella Mendanha e Naomi Nascimento Ferreira conheceram no Hospital Geral do Exército de Libertação Popular, em Pequim. Os três fazem parte do grupo de vencedores do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário de 2025 e ganharam uma imersão educacional com tudo pago no país asiático.

Uma das visitas realizadas durante a viagem foi ao Hospital 301, como a instituição também é chamada. Por lá, os estudantes puderam entender como é trabalhar com medicina na China em um ambiente que combina atendimento em grande escala, sabedoria tradicional e os últimos avanços em tecnologia médica.

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Um hospital que reúne atendimento, ensino e pesquisa

O tamanho do hospital foi uma das primeiras características percebidas pelo grupo. Pedro o comparou a “um shopping imenso”, enquanto Naomi destacou a quantidade de andares. “Existem hospitais enormes no Brasil, mas este é um local muito tecnológico. Eles misturam tecnologia com a saúde da população”, afirmou a vencedora do Prêmio Na Prática 2025, na região Nordeste.

Segundo Pedro, devido à enormidade da população chinesa, cada médico pode atender mais de 100 pacientes por dia, e as consultas podem durar cerca de dois minutos.

Por isso, para acelerar o atendimento, parte da jornada do paciente é realizada com aplicativos, máquinas de autoatendimento e outros recursos digitais. Gabriella contou que algumas pessoas registravam sintomas digitalmente antes de serem encaminhadas ao atendimento.

Ao mesmo tempo, a estudante percebeu que os recursos digitais conviviam com formas tradicionais de acolhimento. Segundo ela, pacientes mais velhos ou com dificuldade para usar os equipamentos também podiam procurar os balcões de atendimento. “Por mais tecnológicos, eles tentam integrar toda a população, que é a questão da acessibilidade”, afirmou a vencedora da região Centro-Oeste.

Inteligência artificial já faz parte do futuro da medicina

A estudante, entretanto, não identificou se a tecnologia está presente da mesma forma em todos os processos do hospital. “Por mais que a gente veja a China como uma potência de IA, ainda não constatei tanta implementação na parte de otimização e de processamento de dados de pacientes”, avaliou a jovem.

Segundo o hospital, a inteligência artificial já ocupa um espaço relevante nas pesquisas desenvolvidas. Cientistas ligados à instituição estudam aplicações de aprendizado profundo em exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética e angiografia. Um artigo publicado em 2025 pela revista acadêmica da escola médica do local analisou o potencial de diferentes modelos de IA para gerar, transformar e combinar imagens médicas.

Essas pesquisas indicam que o futuro da medicina não depende apenas de criar algoritmos, mas de verificar como eles podem apoiar diagnósticos e decisões clínicas. Para os profissionais, isso também cria a necessidade de aprender a interpretar resultados produzidos ou auxiliados por sistemas automatizados.

Essa reflexão tem tudo a ver com o projeto desenvolvido por Gabriella. A vencedora do Prêmio Na Prática desenvolveu um algoritmo de IA para interpretar tomografias de córnea no pré-operatório de cirurgias refrativas, que atingiu mais de 80% de acurácia e reduziu 70% dos custos de triagem em uma instituição de Goiânia, cidade onde vive.

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No futuro da medicina, cirurgias robóticas atravessam milhares de quilômetros

Entre as tecnologias apresentadas durante a visita, a cirurgia robótica à distância foi uma das que mais impressionaram os estudantes. Nessa modalidade, o médico utiliza um console para controlar braços robóticos que operam um paciente localizado em outra cidade ou região.

“Médicos atendem pacientes do interior e fazem a cirurgia nesse hospital com cirurgia robótica”, conta Gabriella.

No início de 2026, uma equipe do Primeiro Centro Médico da instituição controlou, a partir de Pequim, uma cirurgia realizada em um paciente localizado em Urumqi, a cerca de 3 mil quilômetros de distância. O procedimento utilizou conexão 5G e um robô cirúrgico para retirar uma lesão hepática. Segundo a agência estatal Xinhua, a equipe já havia acumulado mais de cem experiências com cirurgias robóticas remotas.

A cirurgia remota não elimina a necessidade de profissionais ao lado do paciente. Os médicos e as equipes locais continuam responsáveis pela preparação, pelo acompanhamento e pela resposta a possíveis emergências. O avanço está justamente na possibilidade de conectar especialistas de grandes centros a pacientes e profissionais que estão em regiões distantes.

Os estudantes compararam essa realidade com os cursos de medicina de instituições brasileiras. “Você às vezes passa pelo curso de medicina inteiro e não vê nada sobre cirurgia robótica, só escuta falar”, compara Naomi.

“Integrar a cirurgia minimamente invasiva e a cirurgia robótica à formação do estudante de medicina é muito importante. Você prepara os profissionais para o que vai ser o futuro.”

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Tecnologia e tradição podem ocupar o mesmo hospital no futuro da medicina

Em um mesmo hospital dominado pelo avanço da ciência, convivem também práticas associadas à medicina tradicional chinesa, um aspecto que chamou a atenção de Gabriella e Naomi. Segundo as estudantes, o grupo conheceu iniciativas relacionadas ao uso de fitoterápicos, tratamentos naturais e conhecimentos ligados à cultura local.

“A medicina ocidental atual tem tentado deixar um pouco de lado a questão da sabedoria popular”, avaliou Naomi. “Aqui eles a levam muito em consideração e misturam a parte dos medicamentos industrializados com a medicina chinesa.”

No fim, a visita permitiu que os estudantes conhecessem para onde está caminhando o futuro da medicina e quais habilidades serão exigidas de quem pretende atuar na área. Eles também saíram com ideias que poderiam ser levadas para seus projetos.

A China como você nunca viu

E se você quiser saber mais sobre o dia a dia do Hospital Geral do Exército de Libertação Popular, então confira abaixo o primeiro episódio da websérie Mundo Na Prática, que retrata a visita dos alunos ao local.

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