Jovens usam IA para estudar, buscar emprego e trabalhar, mas não querem depender dela

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Denise Gabrielle

Publicado em 8 de outubro de 2026 às 16:21h.

Você utiliza a inteligência artificial nos estudos ou no trabalho? Saiba que a ferramenta faz parte da rotina de alguns dos estudantes de mais destaque do país.

Na Conferência de Carreira 2026, evento de recrutamento organizado pelo Na Prática em agosto, em São Paulo, a IA dividiu opiniões. Foi citada pelos participantes tanto como uma ferramenta capaz de acelerar a realização de tarefas quanto como motivo de cautela.

Maria Eduarda, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Instituto Federal de Campinas, conta que usa ferramentas como o ChatGPT diariamente e recorre a elas, inclusive, para se preparar para processos seletivos.

“A IA me ajudou bastante para eu estar na Conferência”, diz a jovem. “Eu usei, por exemplo, para montar o meu pitch, o meu currículo e desenvolver formas para chamar a atenção dos recrutadores”, conta.

Ela vê possibilidades de aplicar a tecnologia praticamente para qualquer atividade, de comunicação a desenvolvimento de projetos. Entretanto, faz uma ressalva: a ferramenta não pode virar uma espécie de piloto automático e pensar no lugar da pessoa. “Eu acho que dá pra usar em tudo”, afirma. “Mas como uma ferramenta de apoio.”

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A IA na tecnologia e na programação

Para quem está entrando no mercado de tecnologia, a relação com a IA pode ser ainda mais direta. Thomaz Barbosa, recém-formado em Ciência da Computação e também participantes da Conferência, já desenvolvia sistemas com inteligência artificial durante a faculdade e, posteriormente, trabalhou com agentes de IA de voz e texto.

A experiência fez com que ele enxergasse essa tecnologia como uma transformação à qual os profissionais precisarão se adaptar. “Chegou para ficar, mesmo”, afirma. Para ele, um dos principais potenciais está na automação de tarefas.

Quem também já tem experiência com a IA é Gabriel Pena, estudante de Engenharia de Produção na USP. Ele lembra que a inteligência artificial já existe há décadas e que a novidade está na popularização dos modelos de linguagem.

“Eu acredito que tudo pode ser usado de uma forma ética e também de maneira que possa ser sustentável para o planeta”, afirma o estudante, preocupado com o impacto ambiental da nova tecnologia.

A lógica também aparece entre profissionais de outras áreas. Patricia Fagundes, que trabalha com marketing, afirma que aplica a IA para resolver processos e criar algumas tarefas do dia a dia. Para ela, a discussão sobre a tecnologia precisa considerar quem está por trás de seu uso. “Se as pessoas tiverem ética, discernimento, saberem utilizar, nós temos um futuro positivo pela frente”, afirma.

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O que a Inteligência Artificial não substitui?

A estudante de Psicologia e pós-graduanda em Neuropsicologia Maria Laura Rastelli, da Universidade Federal de Uberlândia, também vê a inteligência artificial como uma ferramenta que pode trazer ganhos, mas ressalta que existem habilidades que a tecnologia não substitui.

“Essa sensibilidade humana não é substituída facilmente”, afirma. Para ela, em áreas como a psicologia, a formação profissional envolve não apenas conhecimento técnico mas também reflexão, criticidade e capacidade de compreender a subjetividade de cada pessoa. “A gente reflete muito sobre como a IA está aparecendo na nossa prática profissional”, declara a jovem.

A própria preparação para a Conferência exemplifica esse uso. Maria Laura conta que montou seu pitch sozinha, mas recorreu à IA para aprimorar o que havia pensado. Depois, treinou em casa tanto com o pai quanto com a tecnologia.

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Os erros dos estudantes que usam a IA para estudar

Se os jovens participantes da Conferência de Carreira têm uma visão mais otimista sobre a inteligência artificial em seu dia a dia, o mesmo pode ser dito dos professores.

Lucas Melo, professor da Universidade Federal de Lavras (MG) que também esteve no evento do Na Prática, defende o uso da nova ferramenta, mas faz uma ressalva importante: a necessidade de verificar as respostas. Segundo ele, o problema não está em recorrer à IA, e sim em aceitar automaticamente tudo o que ela produz.

“Qualquer tecnologia, se ela for utilizada para o bem, ela é do bem. Se os alunos souberem usar, vão sair com muita vantagem. Eu sou a favor, mas lógico, com cautela”, explica.

A experiência acadêmica explica por que ele fica com um pé atrás. O professor conta já ter encontrado no trabalho de um estudante uma referência com seu próprio nome com título, revista, edição, volume e página. O problema? Tal citação simplesmente não existia. A IA havia produzido um texto baseado em informações reais, mas inventado a citação que o professor Lucas nunca havia escrito.

Esse episódio evidencia os perigos de delegar todas as tarefas para a Inteligência Artificial, indo além de uma ferramenta de apoio.

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