

Marcela Marcos
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 08:30h.
Há quem consiga ler um relatório em inglês, acompanhar uma troca de e-mails e entender uma apresentação, mas trava quando precisa responder a uma pergunta no idioma estrangeiro durante uma reunião.
Se isso acontece com você, saiba que não está sozinho. Segundo o levantamento EF English Proficiency Index 2025, que analisou dados de mais de 2,2 milhões de adultos em 123 países e regiões, em relação à expressão oral da língua inglesa, a pontuação dos brasileiros está em 464 (em uma escala de 0 a 800), abaixo da média mundial.
A inteligência artificial pode ser uma aliada para virar esse jogo ao servir como uma ferramenta para treinar a conversação em inglês. Essa tecnologia permite conversar, repetir respostas, praticar pronúncia e simular situações profissionais sem depender de outra pessoa.
No inglês, o estudo costuma ser feito fora das conversas. O aluno lê textos, faz exercícios de gramática e assiste a vídeos, mas em nenhum momento realiza uma atividade na qual é preciso formular uma resposta e comunicá-la em poucos segundos, como é o caso de uma conversa.
A inteligência artificial amplia as possibilidades de treino porque permite transformar parte desse estudo em conversa.
O treino pode ser organizado de acordo com o nível de inglês, a habilidade que precisa ser desenvolvida e as situações que fazem parte dos objetivos profissionais.
O primeiro passo é identificar qual ponto você quer desenvolver. A pronúncia pode ser o foco de quem já sabe o que quer dizer, mas tem dificuldade para ser compreendido. Nisso, o ELSA Speak pode ser uma boa opção, pois oferece análise da fala e feedback sobre pronúncia, fluência e entonação.
Já para quem quer treinar vocabulário e articular as ideias, o Modo Voz do ChatGPT permite conduzir conversas em inglês e apontar quais pontos que você precisa aprimorar. Nele, você pode fazer simulações relacionadas à sua área de atuação.
O treino pode ser mais efetivo quando se aproxima das conversas que podem aparecer de verdade no trabalho.
Um exemplo de prompt pode ser assim:
“Converse comigo em inglês como se você fosse o recrutador de uma empresa de tecnologia. Faça uma pergunta por vez e espere minha resposta. Depois de cada resposta, aponte erros de gramática ou pronúncia, se houver, e faça uma pergunta de acompanhamento.”
Nesse exemplo, você também pode enviar informações sobre a vaga para trabalhar o vocabulário típico de um processo seletivo.
O mesmo vale para outras situações. Uma pessoa que vai participar de uma reunião internacional pode pedir que a IA interprete o papel de um colega que discorda de uma proposta. O objetivo não deve ser decorar as respostas. Esse exercício serve para criar o hábito de conduzir uma conversa no idioma estrangeiro.
A IA também pode analisar o que foi dito e apontar problemas de gramática, vocabulário ou construção de frases. Um comando, nesse caso, pode ser:
“Não me interrompa enquanto eu estiver respondendo. Ao final, liste os erros de gramática, as palavras que poderiam ser substituídas, os problemas de pronúncia que você identificou e uma forma de reformular cada trecho.”
A correção pode ser dividida em etapas. Primeiro, a pessoa responde sem consultar uma tradução. Depois, recebe o feedback da inteligência artificial. Por fim, responde à mesma pergunta novamente, tentando incorporar as correções.
Se você tem a percepção de que ainda não está pronto para conduzir uma reunião em inglês, você pode ir aumentando a dificuldade conforme você treina. Por exemplo, a conversa pode começar com perguntas para as quais você já sabe a resposta, como sua formação, estágio ou projetos pessoais. Depois, pode avançar para situações que exigem explicação, argumentação e respostas a perguntas inesperadas.
Por exemplo:
O problema mais comum é transformar a IA em tradutor. Pensar uma frase em português, traduzir e só depois falar em inglês pode deixar a resposta mais lenta. Quando uma palavra não vier à cabeça, vale tentar explicar a ideia com outras palavras.
Por exemplo, se você não se lembrar da palavra “deadline”, é possível dizer “the date when the project needs to be finished”. A conversa continua em inglês e o exercício trabalha a capacidade de contornar uma lacuna de vocabulário.
O segundo erro é responder de forma sucinta. Em vez de responder “Yes, I agree.”, tente desenvolver a conversa. “Yes, I agree. I think the main problem is the deadline. What do you think we should prioritize?”
Outro problema comum é aceitar toda correção da ferramenta como se fosse uma avaliação definitiva. Os modelos de IA podem cometer erros e apresentar sugestões discutíveis. A própria OpenAI recomenda verificar informações produzidas pelo ChatGPT.
O quarto problema é usar apenas situações genéricas, como conversar sobre clima, restaurantes ou viagens. Por mais que elas desenvolvam o vocabulário, o tempo poderia ser melhor utilizado simulando situações reais do seu trabalho.
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Você pode criar uma rotina de 20 minutos todos os dias para utilizar a inteligência artificial para praticar a conversação em inglês. É importante criar o hábito de treinar com frequência, uma vez que essa repetição ajuda a compreender o idioma e ampliar seu vocabulário.
| Tempo | Atividade |
|---|---|
| Minutos 1 a 5 | Faça uma conversa sobre sua rotina, faculdade, estágio ou área profissional. |
| Minutos 6 a 10 | Escolha uma situação profissional e peça uma simulação. Pode ser uma entrevista, reunião ou apresentação. |
| Minutos 11 a 15 | Peça feedback sobre gramática, vocabulário, pronúncia e clareza. |
| Minutos 16 a 20 | Repita a situação usando as correções recebidas. |
A inteligência artificial oferece uma possibilidade de treinar inglês que antes dependia da presença de um professor, colega ou parceiro de conversação.
Essa ferramenta não elimina a necessidade de estudar o idioma, mas pode aumentar o tempo dedicado à fala e criar situações para praticar. O próximo passo pode ser abrir o microfone e começar uma conversa.
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