Como dominar o upskilling e o reskilling para avançar na sua carreira

Capa da matéria Como dominar o upskilling e o reskilling para avançar na sua carreira

Egberto Santana

Publicado em 18 de junho de 2026 às 08:00h.

Até poucos anos atrás, muita gente acreditava que terminar a faculdade já era o suficiente para construir uma carreira. Porém, o mercado mudou, ferramentas novas aparecem o tempo inteiro, profissões passam por transformações, e as empresas esperam profissionais que consigam aprender constantemente.

Nesse cenário, o termo upskilling ganhou espaço, principalmente entre jovens profissionais que querem crescer sem ficar presos às mesmas funções por anos. Segundo o Fórum Econômico Mundial, 59% dos trabalhadores precisarão passar por algum tipo de requalificação até 2030. Isso vale praticamente para todas as áreas: tecnologia, marketing, finanças, RH, design, engenharia e até setores mais tradicionais.

Mas, afinal, você sabe o que significa upskilling? E o termo reeskilling? Essas duas palavras em inglês podem dizer muito sobre como mudar a sua carreira em um mercado de trabalho cada vez mais em transformação. Continue lendo para saber mais.

Qual a diferença entre upskilling e reskilling?

A principal diferença entre os dois termos está na intenção que você quer dar para a sua carreira.

O upskilling significa melhorar as habilidades que você já possui para subir de nível e acompanhar as inovações da sua função atual. Pense em um analista de marketing que decide dominar a análise de dados voltada para algoritmos de buscas, o chamado SEO. Ao fazer um curso desse tema, ele não mudou a sua essência profissional, mas atualizou seus conhecimentos para entregar um trabalho com maior valor e ganhar destaque na equipe.

O caminho do reskilling é focado na transição de carreira, ou seja, aprender habilidades totalmente novas para migrar para uma função ou um setor diferente. Como exemplo, imagine um funcionário administrativo que, percebendo a substituição do seu cargo por sistemas automatizados, decide estudar linguagens de programação para conseguir uma vaga como desenvolvedor de software.

Nos últimos anos, as empresas passaram a investir em reskilling interno para reaproveitar talentos em áreas que continuam crescendo. A Forbes, inclusive, já destacou como organizações têm preferido desenvolver profissionais internamente em vez de depender apenas de novas contratações, até porque quem já está na empresa está mais adaptado à cultura organizacional.

Por que o upskilling e reskilling podem definir seu futuro financeiro?

Ficar estagnado e aguardando orientações da chefia não é mais visto com bons olhos no mercado de trabalho. O relatório Workplace Learning Report 2025, do LinkedIn Learning, aponta que quase metade dos profissionais de RH que trabalham com desenvolvimento e treinamento corporativo acredita que suas empresas enfrentam uma crise de habilidades. Seus executivos estão preocupados com a falta de competências necessárias nas equipes para executar as estratégias de negócio.

Ou seja, os profissionais que insistem em usar apenas as mesmas técnicas do passado limitam o próprio crescimento e estão mais propensos a serem desligados.

Ao apostar no upskilling ou no reskilling, os benefícios também podem aparecer no bolso. Um levantamento da edX aponta que 91% dos trabalhadores acreditam que fazer treinamentos aumenta suas chances de receber um aumento salarial. Ir atrás de novas habilidades também demonstra proatividade, algo que sempre é valorizado.

Isso acontece porque as empresas sabem que as ferramentas mudam rápido. O profissional que aprende constantemente tende a acompanhar melhor essas mudanças e resolver problemas com mais autonomia.

Como aplicar o aprendizado contínuo na sua rotina

Integrar os estudos a uma semana de trabalho intensa requer organização. Confira abaixo como fazer isso:

1. Faça um diagnóstico da sua trajetória

Antes de sair comprando cursos, vale entender qual habilidade realmente faz sentido para o momento da sua carreira. Olhe as vagas da área em que você quer crescer e identifique padrões. Quais ferramentas aparecem com frequência? Quais conhecimentos são pedidos nos cargos mais avançados?

Também vale conversar com pessoas da área e observar quais competências estão sendo mais importantes. A partir disso, liste o que mais aparece (tanto de hard skills quanto de soft skills) nas oportunidades que você deseja alcançar.

Leia Mais: O que é mapeamento de competências e como ele pode ajudar jovens profissionais?

2. Escolha a melhor rota

Se sua área continua aquecida e você quer crescer nela, o upskilling costuma ser o caminho mais eficiente, pois novas certificações ou o domínio de novas ferramentas podem abrir portas importantes.

Agora, se o seu setor perdeu espaço ou oferece poucas oportunidades de crescimento, talvez faça mais sentido iniciar um movimento gradual de reskilling.

Para evitar frustração, defina apenas um foco de aprendizado por semestre.

3. Crie compromissos inegociáveis na agenda

O aprendizado precisa entrar na sua agenda como um compromisso. Pode ser uma hora depois do trabalho, duas noites por semana ou parte da manhã no sábado. O importante é criar uma rotina.

Uma dica é bloquear horários fixos no calendário para estudar, exatamente como você faria com uma reunião importante. Se possível, bloqueie cerca de duas a três horas semanais para cursos, leituras, prática ou desenvolvimento de projetos.

Leia Mais: Como conciliar trabalho e estudos: dicas para uma rotina eficiente

4. Teste o conhecimento no mundo real

Sempre que estudar algo novo, tente aplicar o mais cedo possível. Se aprendeu automação, automatize uma tarefa repetitiva que você costuma fazer. Se estudar análise de dados, monte um dashboard, mesmo que seja inicial.

É justamente essa parte prática que ajuda a fixar o conhecimento e aplicá-lo no dia a dia de trabalho. Além disso, os recrutadores valorizam os profissionais que conseguem mostrar o impacto concreto do aprendizado.

Dicas de upskilling e reskilling

O erro mais comum cometido por quem tenta se atualizar é gastar tempo aprendendo um aplicativo ou ferramenta em específico e esquecer de exercitar o senso crítico. Especialistas do Fórum Econômico Mundial relatam que o pensamento analítico e a resolução de problemas complexos estão entre as habilidades mais demandadas atualmente.

Os sistemas mudam todos os anos, mas o profissional que consegue conectar dados, apresentar estratégias coesas e possuir traços de liderança permanece disputado pelo mercado.

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